Milly Lacombe analisa como o machismo estrutural molda comportamentos e relações sociais
A jornalista e escritora Milly Lacombe abordou, em recente fala, os impactos do machismo estrutural na formação de comportamentos e nas relações sociais. Segundo ela, as desigualdades de gênero começam a ser construídas desde o nascimento, a partir de expectativas sociais impostas a meninos e meninas.
De acordo com Lacombe, a definição de papéis ocorre de forma precoce e não está ligada à biologia, mas a construções culturais. “Quando alguém diz ‘é menino’ ou ‘é menina’, já existe um destino traçado, com expectativas distintas para cada um”, afirmou. Enquanto meninos são incentivados à liberdade e ao espaço público, meninas são direcionadas ao ambiente doméstico e a atividades associadas ao cuidado.
A jornalista destaca que essa divisão inicial contribui para a naturalização de desigualdades ao longo da vida. “Essa construção em linhas paralelas acaba consolidando opressões que, mais adiante, são difíceis de desconstruir”, explicou.
Lacombe também chamou atenção para os impactos da violência de gênero. Segundo ela, o machismo está diretamente relacionado a índices elevados de feminicídio e violência sexual, além de casos recorrentes de agressões domésticas.
Ao mesmo tempo, a escritora ressalta que esse modelo também afeta os homens, ao impor padrões rígidos de comportamento. “Há uma exigência para que homens não demonstrem sentimentos ou fragilidade, o que também configura uma forma de violência”, disse.
Para Lacombe, o sistema baseado na divisão binária de gênero é uma construção social que precisa ser questionada. “Trata-se de uma estrutura que organiza relações de poder e que pode e deve ser transformada”, concluiu.
A reflexão reforça o debate sobre igualdade de gênero e a necessidade de revisão de padrões culturais que sustentam diferentes formas de violência e desigualdade na sociedade.


